Brasília alterna meses de luz dura e ar seco com uma estação de chuva intensa. Projetar aqui exige mais do que escolher uma linguagem. Exige decidir onde o sol pode entrar, quando o vento precisa atravessar e como a água deve tocar o terreno.

Por isso, começamos pela sombra. Ela determina permanências, protege aberturas, reduz carga térmica e cria a transição que torna o exterior habitável durante mais horas do dia.

A seção vem antes da imagem

Uma boa perspectiva pode convencer. Uma boa seção precisa funcionar. É nela que testamos altura, ventilação cruzada, incidência solar, drenagem e a relação entre cobertura, piso e paisagem.

Quando essa seção é precisa, a fachada deixa de ser uma composição aplicada e passa a registrar decisões reais.

Conforto é uma experiência espacial antes de ser uma especificação técnica.

Paisagismo como infraestrutura

Espécies nativas filtram poeira, estabilizam o solo e pedem menos água. Jardins de chuva desaceleram o escoamento. Pátios transformam vegetação em regulador térmico e orientação cotidiana.

Não buscamos reproduzir uma natureza idealizada. Queremos que a arquitetura reconheça o território que já existe e o torne mais legível.